QUARTO DE DESPEJO: DIÁRIO DE UMA FAVELADA
Nação | TVE - Carolina de Jesus Parte 1 - 18/09/2015
Nação | TVE - Carolina de Jesus Parte 2 - 25 /09/2015
Carolina Maria de Jesus - Quarto de Despejo (1961) Álbum Completo
Pág. 30
13 de maio. Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático
para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos escravos.
... Nas
prisões os negros eram os bodes expiatórios. Mas os brancos agora são mais
cultos. E não nos tratam com despreso. Que Deus ilumine os brancos para que os
pretoos sejam mais feliz.
[...]
Pág. 51
3 de junho.
[...]
... A
favela hoje está quente. Durante o dia a Leila e o seu companheiro Arnaldo
brigaram. O Arnaldo é preto. Quando veio para a favela era menino. Mas que
menino! Era bom, iducado, meigo, obidiente. Era o orgulho do pai e de quem lhe
conhecia.
- Este vai ser um negro, sim
senhor!
É que na África os negros são
classificados assim:
- Negro tú.
- Negro turututú.
- É negro sim senhor!
Negro tú
é o negro mais ou menos. Negro turututú é o que não vale nada. E o negro
Sim Senhor é o da alta sociedade [...]
Pág. 64
16 de junho.
[...]
... Eu
escrevia peças e apresentava aos diretores de circos. Eles respondiam-me:
- É pena você ser preta.
Esquecendo eles que eu adoro
minha pelo negra, e o meu cabelo rústico. Eu até acho o cabelo de negro mais
iducado do que o cabelo de branco. Porque o cabelo de preto onde põe, fica. É
obediente. E o cabelo de branco, é só dar um movimento na cabeça ele já sai do
lugar. É indisciplinado. Se é que exite reincarnações, eu quero voltar sempre
preta.
... Um dia, um branco disse-me:
- Se os pretos tivessem chegado
ao mundo depois dos brancos, aí os brancos podiam protestar com razão. Mas, nem
o branco nem o preto conhece sua origem.
O branco que diz que é superior.
Mas que superioridade apresenta o branco? Se o negro bebe pinga, o branco bebe.
A enfermidade que atinge o preto, atinge o branco. Se o branco sente fome, o
negro tambem. A natureza não seleciona ninguém.
Pág. 108
11 de agosto. ... Eu estava pagando o sapateiro e
conversando com um preto que estava lendo um jornal. Ele estava revoltado com
um guarda civil que espancou um preto e amarrou numa arvore. O guarda civil é
branco. E há certos brancos que transforma preto em bode expiatorio. Quem sabe
se guarda civil ignora que já foi extinta a escravidão e ainda estamos no
regime da chibata.
[...]
Pág. 121
14 de setembro. ... Hoje é dia da pascoa de Moysés. O Deus dos
judeus. Que libertou os judeus até hoje. O preto é perseguido porque a sua pele
é da cor da noite. E o judeu porque é inteligente. Moysés quando via os judeus
descalços e rotos orava pedindo a Deus para dar-lhes conforto e riquesas. É por
isso que os judeus quase todos são ricos.
Já nós
os pretos não tivemos um profeta para orar por nós.
Pág. 122
20 de setembro. ... Fui no empório. [...] E o senhor
Eduardo disse:
- Nos fatos quase que vocês
empataram.
Eu disse:
- Ela é branca. Tem direito de
gastar mais.
Ela disse-me:
- A cor não influi.
Então começamos a falar sobre o
preconceito. Ela disse-me que nos Estados Unidos eles não querem negros na
escola.
Fico pensando: os
norte-americanos são considerados os mais civilisados do mundo e ainda não
convenceram que preterir o preto é o mesmo que preterir o sol. O homem não pode
lutar com os produtos da Natureza. Deus criou todas as raças na mesma epoca. Se
criasse os negros depois dos brancos, aí os brancos podia revoltar-se.
1959
Pág. 167
28 de maio. ... A vida é igual um livro. Só depois de
ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que
sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é
a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.
Pág. 169
5 de junho.
[...]
O Euclides, o negro preto que
mora com a Aparecida é horrível quando bebe. Fala por cem.
- Eu dou tiro. Eu mato!
[...]



o livro (carolina) representa muito as favelas, pois lá existem muitas pessoas de bom coração e outras pessoas que estão embreagadas e ficam xingando muitos moradores da favela. E isso vemos que a favela não é um lugar ruim, mais existem pessoas ruins
ResponderExcluirDaniel Morita
ExcluirO livro Carolina foi um livro bem importante pra mim, pois eu não tinha muito conhecimento de temas sobre favelas, e graças a ele eu me interessei mais, ele retratou muito bem esse tema, por ser uma própria moradora de favela que escreveu ficou muito real, é um livro que mostra muito bem como é a vida lá, pessoas, cultura, moradias, ruas e infelizmente o julgamento de alguns.
ResponderExcluirArthur O. Contatto
ExcluirA coisa que mais me chamou a atenção foi o jeito que ela retrata a favela. Nós nos dias de hoje apenas nos lembramos da parte da violência, e nos esquecemos de como a miséria nas favelas é gigante.
ResponderExcluirAluna: Luiza Silva Mainardes.
Carolina e necessária!Aborda temas de estrema relevância social e abre espaço para reflexões e empatia relatando uma triste realidade de uma mulher negra que cata lixo para sustentar sua família ,realidade a qual e vivida por muitos brasileiros
ResponderExcluirNicolly Ruas moura de Rezende Turma 8m9
ExcluirO Livro e algo que faz qualquer um que leia refletir sobre a pobreza, fome, entre outros e ele e um ótimo livro pois ele da um choque de realidade pois acredito eu que nos todos conhecemos que existe essas dificuldades mas não sabemos como realmente é então ele nos trás o mundo real as experiências de alguém que já sofreu tanto e com isso temos que agradecer que nos temos uma vida boa e não passamos fome
ResponderExcluirO livro Carolina mostra o dia dia de Carolina Maria de Jezus, mãe de três filhos, representa a realidade de muito brasileiros, mostrando a fome e pobreza que os moradores da favela do Canide passam, além disso aborda também temas como racismo e preconceito em relação a cor, local onde mora e de ser escritora e compositora, pois antes era considerado que apenas pessoas de altas classes poderiam escrever e compor, mas ela derrubou as paredes e publicou seu diário sendo um dos mais vendidos.
ResponderExcluirEssa obra é excelente para citar em redações, sobre fome, preconceito, racismo, diferenças sociais, e vários outros diversos temas.
Amanda Camily
O livro Carolina nos mostra a realidade de quem mora na favela, trazendo assuntos muito importantes e que precisam ser discutidos como a fome e a pobreza nas favelas. Ótimo livro para nos conscientizar como é a realidade de muitos brasileiros.
ResponderExcluir- Maria Laura.
Ao nosso ver, a população está vivendo com condições favoráveis, porém se adentrarmos com mais objetividade nesse assunto, perceberemos a amplitude de condições de vida que há em nosso, país. Cerca de 1,5 bilhão de pessoas sofre de "pobreza multidimensional" em 91 países em desenvolvimento, ou seja, passam por privações nas áreas de saúde, educação e "padrões básicos de vida", segundo a ONU, assim, é perceptível a desigualdade que há no mundo, no qual temos pessoas vivendo em situações precárias ou relativamente confortáveis.
ResponderExcluirAssim, perceberemos no livro tal desigualdade, que por vários é desconhecida, e á nós é revelado o quão diferente é a realidade das pessoas.
Alysson Ryan
ExcluirEu li o carolina HQ uma adaptação do clássico literário brasileiro, particularmente gostei da obra pois aborda temas normalmente deixados de lado em nossos dias a dia, nele observamos relatos de alguém que reapmente passou por aquilo e não só uma imaginação de como séria,o que trouxe uma certa profundidade , sem censura ou alteração para ser felis apenas a verdade. O livro original foi publicado em 1960 uma época onde mulheres não tinham voz ou direito e vemos no final do livro que mesmo após deixar a favela ela sofreu preconceito por ter o seu tom de pele por ter cido favelada e ser mulher, a obra mostra o preconceito com as minorias
ResponderExcluirMorelli, tinha esquecido o nome
ExcluirQuando eu li diário de uma favelada , achei interessante a forma que era organizado em formato de diário , de início os erros de gramática me chamaram atenção , mas logo entendi que se tratada de uma linguagem mais humilde e de outra década . O livro trata de assuntos que ainda são presentes no Brasil , como a fome e a desigualdade social . Gostei pois demonstra a realidade de muitas pessoas atualmente e nos faz refletir sobre as dificuldades vividas na favela
ResponderExcluirAluno:João Pedro B.G de Lima
O livro Carolina aborda muitos temas, mostra a realidade de uma favela e de muitas famílias brasileiras. Um dos assuntos do livro é a desigualdade social que infelizmente ainda existe no Brasil, O livro é muito bom pois todos os leitores refletem sobre a realidade de uma mulher negra no Brasil.
ResponderExcluir-Lara
Carolina é um livro muito bom em que você imerge no contexto social da época, aonde a sociedade vivia em um pensamento retrogrado sobre classe social do indivíduo mas principalmente sobre sua cor. é incrível como o livro aborda a realidade de uma mulher negra que vivia neste contexto. -João Henrique
ResponderExcluirCarolina é um livro muito interessante pois se trata de um assunto muito delicado, mas mesmo assim e interessante ver como ela fez para contar de sua vida difícil por isso gostei muito! - João Vitor :D
ResponderExcluirA HQ Carolina mostra a realidade da vida de várias pessoas na favela, fala sobre vários temas que ainda são muito presentes na sociedade. Eu me encantei com o fato da Carolina ser uma mulher negra, pobre, que é mal vista pelas pessoas, que sofre tanto, que pega lixo para sobreviver, e mesmo assim ela consegue realizar o seu sonho: ser uma escritora. É uma história muito boa que várias pessoas podem se indentificar.
ResponderExcluirAluna: Maria Luiza Vilanova
ExcluirO livro Carolina é muito importante porque trata de muitos temas importantes como a fome,racismo,preconceito,pobreza entre outros temas muito importantes para refletir e se concientizar.
ResponderExcluirO livro é muito gostoso de ler,cada página que eu lia me dava vontade de ler mais,eu amei.
O livro Carolina, na minha opinião é um livro excelente. Os assuntos abordados devem ser pensados e discutidos por todos, para que haja a conscientização da população sobre a situação das pessoas que moram na favela e sobre as diferenças sociais.
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