Olá, pessoal!
Criamos esse blog com o propósito de oferecer mais um veículo tanto para construir/desconstruir alguns assuntos sobre questões raciais quanto auxiliar professores, alunos, enfim, todos os interessados que, assim como nós, se preocupam com o dia da Consciência Negra e tudo o que é relacionado com a temática africana e afro-brasileira. Nosso intuito é desmitificar a visão engessada que muitas pessoas, inclusive profissionais da educação têm, tanto do negro em sociedade, quanto do dia da Consciência Negra.
Vamos explicar...
A Lei de nº 12.519 criada em 2011 e que acontece todo dia 20 de novembro, vem para que se tenha um dia no ano letivo para falar sobre a questão racial, problemas étnicos, injurias raciais e também para a valorização do negro como uma cultura dentro da sociedade brasileira. Ficou conhecido como o "Dia de Zumbi", sendo uma tentativa de resgatar um mártir negro, gerando assim mais identificação por parte da comunidade negra.
Essa não é a primeira tentativa de resgate em relação ao estudo da cultura afro e afro-brasileira. Em 2003, com a criação da Lei nº10.639, tinha-se como propósito o estudo dessa temática ao longo do ano em todo o currículo escolar, principalmente em disciplinas como Arte, História e Literatura. É necessário resinificar o processo formativo das pessoas para que elas compreendam uma visão que não é subtmetida a construção social sob a ótica da "branquitude".
No entanto, o dia 20 de novembro é para que alunos de rede pública e privada, do Ensino Fundamental I, II e Médio tenham mais contato com a cultura afro e, através da informação, deixem certos preconceitos, nomenclaturas, jargões, inclusive piadas de cunho racistas, de lado, proporcionando uma reflexão e reconstrução de nossa identidade e postura como cidadãos.
Normalmente, esse dia acontece nos colégios acompanhado de um projeto, sendo feito pelo professor de história, geografia, filosofia e até mesmo religião. Há o pensamento que são disciplinas das humanidades e que vão dar conta de trabalhar toda a complexidade e grandeza de toda a cultura, ancestralidade e identidade de um povo.
Em partes, até dão, sem nenhum problema, Mas o agravante (e aqui está nossa crítica) é o fato de ele acontecer de maneira pontual, apenas no dia ou na semana em que cai o dia (20), sendo que a intenção da Lei é justamente a obrigatoriedade de discutir ao longo do ano problemas, culturas, identidades e desafios para o povo negro nessa caminhada histórica, assim como a herança do que aconteceu refletida para muitos ainda hoje.
Ao envolver disciplinas de humanidades, é justamente para discutir os problemas que vão além da "ponta do iceberg", mas pelo modo como geralmente é feito, o projeto se perde e muitas vezes acaba abordando elementos superficiais, a figura do escravo e coisas que não refletem em si toda a complexidade, valor e beleza de uma cultura que, de certo modo, acaba por se tornar tema de uma "festinha" na escola, como alguns alunos já nos disseram...
O Dia da Consciência Negra vai muito além de máscaras, danças, mandalas, da escravidão, de grilhões, da consciência humana, dos batuques e da capoeira. É preciso PROBLEMATIZAR mais esse dia e abordar sua temática ao longo do ano. É importante entender que não usamos problematizar no sentido de criticar, mas unir mais disciplinas para discutir isso.
Pretendemos DESCONSTRUIR PADRÕES RACISTAS. Sabemos que muitas vezes erramos na tentativa de acertar, mas estamos aqui para apoiar, discutir, contribuir. Um professor de literatura e um professor de história que decidiram se unir através de seus projetos de mestrado, para contribuir nas discussões em sala e não apenas do dia da Consciência Negra, mas todo o ano letivo. Queremos que todos os momentos em que se puder inserir a questão racial, valorização do negro e de fato cumprir o que a Lei 10.639/03 e a Lei 12.519/11 propõem aconteça de modo naturalizado e integrado ao currículo escolar sem adaptações ou superficialidades.
Sendo assim, nosso Blog terá como postagens a questão afro, cultural, histórica e literária, voltados para ajudar no trabalho desses projetos, mas também para discutir (escancarar) problemas raciais. Vamos analisar e indicar livros, criar atividades, abordagens, dicas, ideias, textos, etc. procurando dar espaço às vozes de autores, artistas, pensadores, enfim, representantes da comunidade negra, para que com suas experiências e vivências possam chegar até nós e nos ensinar cada vez mais.
Por favor, não nos entendam mal. Não somos donos da verdade. Somos apenas professores mostrando nossas opiniões, pesquisas, fontes, ideias e aprendizados para tentar contribuir com uma singela mudança.
Estamos totalmente abertos para críticas, sugestões e por favor (MESMO!!!) discutam conosco.
Queremos dar espaço a vozes ativas aqui e tudo o que puder contribuir será bem-vindo.
Até mais!
Boas experiências...

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