UM DEFEITO DE COR
ANA MARIA GONÇALVES
Comentário: Nesta obra, acompanhamos toda a saga vivida por Kehinde em uma diáspora proporcionada pelos grilhões da escravidão. Uma obra que possui uma fluidez e leveza ao comunicar sua essência, mesmo abordando todo o sofrimento vivido pela personagem e, assim como ela, por todos aqueles que sofreram com tudo o que a escravidão proporcionou.
Importante dizer que inúmeras reflexões são possíveis a partir da leitura que nos faz repensar o reflexo de toda a herança cultural que traz traços de um passado ainda presente na vida de muitos.
Mesmo sendo simples falar sobre a história e o desenvolvimento do enredo, como muitos "tubers" e críticos fazem parecer, somente a leitura poderá proporcionar tudo o que a obra propõe.
Como muitos que leram disseram, é uma leitura essencial, profunda e necessária na atualidade.
Enredo (Extraído do livro - por Millôr Fernandes):
Um defeito de cor narra a história de Kehinde, negrinha de 8 anos capturada no Daomé (Benin), trazida para o Brasil, rodando por Bahia, Maranhão, Santos, São Paulo, e por aí vai, nesse mundo perdido que era este país.
A saga de Kehinde atravessa oito décadas [...]
Rebeliões, violências inauditas [...], um mundo que se debate, com liberdades falsas, mas também verdadeiras como a da prórpia Kehinde, que a conquista aprendendo a ler, escrever e falar inglês. E lhe permite fugir para o Maranhão e pro Recôncavo, e até pra Rio (1840 - emocionante reconstituição), na procura desesperada de um filho vendido.
Madura e liberta mesmo em sua alma, Kehinde volta para África, vira "industrial", casa com negro "inglês", e, já velha, volta ao Brasil. Aonde não chega.
A vida, não sei se vocês sabem, não tem happy end. [...]
Para saber mais sobre o livro clique aqui!
Curiosidades:
1. A premiada obra será adaptada em uma supersérie para 2021 na Rede Globo de televisão. (Para saber mais clique aqui);
2. A obra recebeu o Prémio Casa de las Américas em 2007;
3. A obra levou cinco anos para ficar pronta;
4. Ao acessar informações sobre a autora e obra pela Wikipédia, temos na identificação um termo que chama a atenção: Griôs
Imagem extraída da Wikipédia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Maria_Gon%C3%A7alves
Griôs, termo que, dentre suas mais variadas versões de escrita dentro de determinadas culturas, é uma referência ao ato de preservação e transmissão de histórias e conhecimentos que mantém viva a cultura de um povo. Ao colocar que a autora é uma griô da diáspora negra, percebe-se a relevância do trabalho realizado por ela e o valor de representatividade que sua obra tem.
Informações técnicas:
Título: Um defeito de cor
Autora: Ana Maria Gonçalves
Ano de publicação: 2006
Editora: Record
Gênero: Romance
O que pode ser trabalhado?
Logicamente que a obra apresenta inúmeras possibilidades, mas aqui serão apresentadas temáticas para debate e participação em um fórum por vídeos. Assim, todos podem dar sua contribuição aos debates fundamentais sobre as temáticas apresentadas pela obra. Aqui seguem algumas sugestões, mas fique a vontade para contribuir caso queira.
- A diáspora africana;
- A herança histórica da escravidão;
- Os grilhões que permaneceram, mesmo após anos da abolição;
- A desconstrução da identidade de um povo;
- Qual é a reflexão que nos oferece tanto a obra quanto seu titulo "Um defeito de cor"
PARA PARTICIPAR ACESSE O LINK ABAIXO:
Um pouco mais...
ANA MARIA GONÇALVES | #Arte1Comtexto ENCONTROS LITERÁRIOS
https://www.youtube.com/watch?v=0hshcSEbZvw
Áudio Livro feito por Ricardo Ramos:
Uma última indicação:
Observação: Para nós algumas obras transcendem explicações. Esse é um dos casos nos quais somente a experiência literária pode revelar a grandeza da obra e sua magnitude nos transformando a cada página.


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