Entre o Mundo e Eu


Neste livro Ta-nehesi Coates escreve três grandes cartas para seu filho pequeno, contando como é o mundo em que ele vive e como é ser negro nessa sociedade. Ta-nehesi consegue descrever como seu filho deve agir no mundo, simplesmente por ser negro, trazendo a tona discussões sobre cor, preconceitos, perigos, medos, angustias e ídolos, questões essas que não envolvem apenas o atual cenário Norte Americano, mas como para nossa realidade brasileira. Ele começa r
elembrando como foi sua infância difícil e como o contato e as conversas com os pais, ex Pantera Negra, o ajudaram a superar certos traumas e medos que tinha por simplesmente ser negro, são relatos de um afro-americano que viveu sua infância e adolescência nas décadas de 70, 80 e 90, e pode ser entendido como um relato de experiência o qual está repassando conselhos para seu filho. Além das recomendações deixados para seu filho, Ta-nehesi Coates aborda decepções sofridas em sua vida acadêmica e em sua infância, como a falta de heróis negros, escritores, professores universitários, músicos, atores, apresentadores, etc, e quando ele percebe essa falta ele inicia uma busca desesperada para essas representações, uma busca para “heróis” como ele.
 



 

Entre O Mundo e Eu, funciona também como um guia de autores, músicos, atores, pensadores negros que nos ajuda a aumentar nosso leque de informações sobre o mundo intelectual negro, o que realmente é pouco explorado. Em suas lembranças, Coates nos faz refletir sobre inúmeros pontos que não nos atentamos no dia a dia, é como se fosse um “puxão de orelha” a cada momento, cada página nos faz refletir sobre esse nosso privilégio branco. Sendo ao mesmo tempo, uma leitura gostosa e relaxante porém incomoda e inquieta. Convido à vocês lerem “Entre o Mundo e Eu” e refletir em sala de aula com seus alunos. 

 

Quem é Ta-nehesi Coates? 

    


É um jornalista e escritor negro, nascido e criado em Baltimore nos EUA, que iniciou seus estudos na Universidade de Howard na cidade de Washington no curso de jornalismo e foi descobrindo seu mundo acadêmico negro. Conquistou grande público no período em que era correspondente do The Atlantic e com seus livros, sempre abordando questões raciais e políticas. Ganhador, entre outros prêmios George Polk por seu artigo “The Case for Reparations”. Foi professor acadêmico e hoje vive em Nova York com a mulher e o filho. 

 

Como posso trabalhar “Entre o Mundo e eu” em sala de aula? 

 

São infinitas as possibilidades, mas vamos começar listando algumas delas. 
1. A primeira e mais interessante é realizar a leitura com os alunos do livro, durante um bimestre ou trimestre, e discutir os pontos mais importantes que o livro aborda como: a) condição racial; b) realidade brasileira x realidade Americana; c) preconceitos; d) possíveis soluções para os problemas apresentados no livro. 
 
2. Podemos também fazer uma pesquisa histórica de todos os pontos que aparecem no livro, como a) navios negreiros; b) rainha da Ginga; c) Movimento dos Panteras Negras; etc, ressaltando, discutindo e problematizando cada ponto desses e questionando se os alunos ouviram falar. 
 
3. Autores, escritores, músicos, poetas, intelectuais, romancistas negros que os alunos conhecem e fazer uma busca mais detalhada, para comparar os resultados encontrados, sempre problematizando o por que é mais comum sempre pensarmos em escritores brancos? 

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